*Foto que fiz hoje na “hora do almoço”, ali no centro da nossa cidade.
Hoje é “dia de jogo” – com tudo o que temos direito, mas o dia só se tornou importante depois de ter feito registros da realidade em baixo da Ponte Florentino Avidos. Seca totalmente. Não tem vida ali. Mesmo estando “perto” por conta de uma teleobjetiva constatei que tudo nessa vida, inclusive a nossa Copa do Mundo, é vaidade. Queria muito entender o propósito de cantar o hino nacional antes de uma partida de futebol, ou porque minha mãe se preocupa com os presidiários que estão longe de uma televisão. Enquanto eu estava ali preocupada com a segurança do meu equipamento, com minha pequena fome e vontade de voltar pra casa vi gente de vinte e poucos anos com cara de cinquenta, vi menina de classe média que trocou o conforto da própria casa pela terra batida e um cachimbo, vi filho de policial fingindo se divertir, vi criança desnorteada e corpos parados. A cada grito ansioso por um gol que escuto me lembro da despreocupação que vi da parte dessas pessoas com a programação dessa tarde. Pra muita gente isso pouco importa. Uma amiga deles foi morta no último domingo e uma outra me disse “eu só quero deitar um pouco”. Não é negativismo, não tô contando história e ontem antes de dormir eu também não pensava em nada disso, como a maioria. Andar por aí é bom as vezes… É claro que não posso fazer escolhas por ninguém, não dá pra resolver problemas sociais com a força do pensamento e querer tranformar esse tipo de realidade em outra a partir do nada, mas dá pra pensar. É bom pensar em outras coisas de vez em quando, coisas que talvez não envolvam uma bola rolando num gramado. Escrever, espalhar, postar coisas que não são tão legais e bonitas.
Tags:Vitória


Eu sempre penso nessas coisas, vc sabe disso. Tô assistindo o jogo e uma coisa PRA mim não exclui a outra. Pena que pra maioria das pessoas o mundo é colorido e só tem desgraça e fome no “país” África. É aquilo, né. Se pensar muito sobre essas coisas, dói um pouco mais viver. Aí, nisso, é mais fácil rezar e orar. Afinal, melhor fazer cada um sua parte, né? E não fazer nada ao mesmo tempo…
Ficou confuso, falta mais coisa. E apesar de ser favorável a descriminalização das drogas, acho que o crack deveria ser extinto da face da terra….
É confuso e falta coisa, mas SENTIR alguma coisa gera algum pequeno movimento, mesmo que dentro de mim. Apatia é que não dá. Foi meu segundo dia lá e quero voltar.
Caraca, bicho. Puta imagem forte. Casas e ruas decoradas de verde e amarelo mas eles é que são um retrato bem fiel da realidade atual.
Acho que o crack transforma pessoas em zumbis.
Não sei se é teoria da conspiração da minha cabeça, mas acho que a disseminação dessa droga, especificamente, é algo pensado, sabe?
Pra que a alienação se espalhe junto, de vez.
Cara, é bizarro. Ouvi mil histórias… Alguns são resgatados pela família em carros do ano, por gente “engravatada”, mas dias depois estão lá novamente, deitados ali a tarde toda. De vez em quando rola até churrasco ali na ponte. Ficam andando sem rumo, querendo mais. Eles sempre ficam juntos, é como se fossem separados pra algo. Foi diferente pra mim ver como funciona, como se movimentam, passam as horas.
Quando escrevi isso tudo na hora do jogo, nem pensei no tema “desigualdade social”. Só me senti estranha por saber que o que me motiva não é o que motiva o outro. Eu queria entender algumas coisas… Eles tinham sonhos, desejos e carências iguais a mim, mas agora simplesmente moram ali, e o crack é o “tudo” deles. Oo Namorado, filho, desentendimento… Tudo isso é volátil, não dura, não tem importância. Falam como estivessem falando do clima, do inseto.
Manu,
Senti uma alegria imensa em saber que existem pessoas conscientes do grande problema CRACK e que deseja, mesmo sendo o máximo que pode fazer, tentar reverter o quadro.
Tenho um irmão viciado em crack, e conheço de vista, duas das pessoas nessa foto. Meu irmão já esteve nesse viaduto, já esteve nessas condições, e eu posso te garantir que no fundo, no fundo eles não queriam ter se envolvido com essa droga.
Ela foi avassaladora na vida do meu irmão.
Hoje ele está no seu segundo internamento. E na hora do jogo senti uma angustia enorme em saber que minha familia estava no conforto do lar, enquanto ele, estava assistindo ao jogo ao lado de pessoas que nem conhecia há alguns dias atrás, sozinho, sem a presença de AMIGOS que ele tanto venerava e dos seus irmãos.
Meus pais envelheceram dez anos em um. E meu filho de dez anos, quando ouve falar em crack fica horrorizado.
Não sei se deveria estar comentando esse meu lamento aqui, mas gostaria de poder ajudar de alguma forma, pois me sinto pós graduada em assunto de drogas.
Tudo que ouço e leio em relação a esse assunto tento fazer uma relação com meu irmão.
Sinceramente acho que um viciado em crack é um doente que precisa de tratamento pro resto da vida.
Dependendo do organismo o vício é mais intenso, e só com acompanhamento psicológico e até mesmo neurológico a pessoa consegue viver sem o crack. Outros precisam de mais do que isso.
q doido manu!
por mais que a gente já esteja quase se acostumando a ver essas coisas pela tv e pelos jornais, ver ao vivo é completamente diferente – choca de verdade, faz parar pra pensar, aquele gelo sobe espinha acima.
sempre venho aqui ver coisas bonitas, com aquele ar de sonho bom. dar de cara com essa cena tão real e tão feia, no pior sentido da palavra, me fez querer parar o mundo por alguns minutos. mas não dá. ele não para.
pelo menos comigo o seu post atingiu o objetivo. certeiro.
=*