Só faltava esse. Cara, não sei desde quando, mas me apaixonei perdidamente pelas coisas que a Sofia Coppola faz. Depois de assistir o primeiro curta-metragem dela catei uma resenha quase técnica muito boa. Só me lembro que em todas as primeiras vezes que vi os filmes, as únicas coisas que me prendiam ali eram as cores, produção e fotografia. É sempre muito familiar e aquele êxtase depois de ver um filme muito bom nunca acaba (e na maior parte das vezes BOM, pra mim, é agradável aos olhos, quase uma hipnose, a vontade de usar um par de óculos que me fizesse ver tudo daquela forma sempre – pra mim, as vezes basta ser belo ). Das segundas vezes que assisti (eu, toda com esse meu jeitinho “azul”) mergulhei de cabeça nos personagens, gosto de todos, lembro de todos e já pensei ser todos. Coppola pra sempre vai ser minha preferida, qualquer pré-produção dela já me enche de espectativas – e o fato dela andar com Stella McCartney e Kate Moss me deixa dormir tranquila, amo e amo, sou fã e muito mulherzinha.
Eis aqui uma parte de um texto opinativo escrito por André Antônio [texto na íntegra - blog] + citação de Anna Rogers (essa mulher é PhD em cinema pela University of Edinburgh e escreveu sobre Sofia Coppola, Jim Jarmusch e Gus Van Sant) :
“É possível dizer que essa estrutura mais profunda é o esqueleto de todos os filmes de Coppola. Em Lick the star, a conspiração para enfraquecer os garotos do colégio começa a dar tão certo que prenuncia a descoberta de uma liberdade jovem, quase lírica, quando, no entanto, Chloe é caluniada, perde sua popularidade na escola, trazendo assim a conspiração abaixo e tenta, sem sucesso, o suicídio. Em Encontros e desencontros (de 2003, o filme de Coppola menos evidentemente “alegórico”), Charlotte se distancia precocemente dos valores socialmente construídos para o casamento, o que instaura nela uma crise existencial. No entanto, ela começa a encontrar nas farras noturnas com Bob uma espécie de “resposta” para essa crise. Eles, porém, têm que se separar no fim. Em Maria Antonieta (2006), a jovem rainha sente o peso do cotidiano e da rotina repetitiva e acha solução nas festas, jogos e traições conjugais. Depois, ela sente todas as conseqüências.
Tal esqueleto narrativo é o centro da hipótese de Anna Rogers: para ela, os filmes de Sofia Coppola são sobre personagens que estão vivenciando uma espécie de “rito de passagem”, onde valores que davam sentido à existência começam a não fazer mais sentido. A partir daí começar um processo de (re)construção da identidade, quase nunca bem sucedida. Coppola ‘demonstrated an interest in liminal situations, rites of passage and marginal groups of people. It is the person in transition, who is in between things and is undecided about what to do’.”
E como eu sempre disse, filme-retrato, no qual não me interessa a montagem nem a estrutura do roteiro. A linguagem explícita na fotografia e nos planos de alguma forma me emociona, não importa o começo, meio e fim. Gosto do sol que a Coppola sempre usa, do amarelo e do pêssego, das meninas, da música, anyway.
E aqui tem um artigo da Anna Rogers com análise de toda a filmografia da Sofia, bibliografia e links de outros artigos sobre cinema – todos em inglês.
- Lick the Star(1998) foi o segundo filme que a Coppola fez. O primeiro mesmo foi o Bed, Bath and Beyond (1996), mas não achei nada sobre.
Pronto. Matei a vontade. Beijos




